Desde pequenos, uma parte da educação consiste em criar na criança certos hábitos, horários e rotinas.
Se apenas um (pai ou mãe) se encarrega de o fazer, enquanto o outro “deixa fazer tudo” e, inclusivamente, se permite desautorizar o outro, estabelece-se uma divisão de papéis prejudicial: um “mima” e o outro fica como o “mau da fita”. Uma situação injusta e, além do mais, inconveniente para a criança. Outras vezes pode acontecer que ambos partilhem e tenham bem claros seus critérios educativos, mas que os avós consintam tudo à criança e deitem por terra todo o esforço dos pais. Nesses casos, há que falar com eles (com diplomacia necessária para não ferir susceptibilidades) fazendo-lhes ver que ao permitirem tudo, estão a prejudicar a criança.
Mas, independentemente daquilo que pretendemos, só conseguimos alguma coisa de uma criança se para ela formos um modelo a seguir e com ela tivermos estabelecido uma relação forte, que se baseie na confiança e amizade recíprocas. É necessário que o «clima emocional» em casa seja agradável, de forma a permitir que a criança sinta carinho e conforto no seu dia-a-dia. A atenção dada à criança é fundamental e a rotina diária deve ser mantida, pois permite uma assimilação mais fácil das atitudes desejáveis e evita muitos comportamentos desagradáveis.
É importante que os pais sejam coerentes na forma como abordam determinado comportamento ou problema, permitindo à criança assimilar com facilidade o que dela se pretende, sem ambiguidades. Os pais não devem, e principalmente não podem, ter problemas de consciência. Nada de mais errado do que dizer a uma criança o que não pode fazer e depois permitir que ela o faça.
Por fim, é necessária alguma flexibilidade – ser intransigente não é benéfico, não tem qualquer mal deixar que ocorra uma excepção. Envolver a criança na tomada de decisões favorece o desenvolvimento do seu senso moral.
Cortesia Dra. Tânia Henriques
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