Muitos são os investigadores que têm relacionado a ocorrência de sintomas alérgicos respiratórios com a presença de grãos de pólen no ar, estando bem documentado que a inalação de pólen de espécies específicas causa sintomas clínicos de alergia respiratória.
Na actualidade, o conteúdo polínico da atmosfera por si só e/ou juntamente com outros factores, como a poluição, tem cada vez mais repercussões sobre a saúde humana, afectando, de forma muito importante, a qualidade de vida das pessoas.
De acordo com o relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) de 2003, a sensibilização aos alergénios contidos no pólen aumentou em muitas áreas na Europa. A OMS estima que a hipersensibilidade a pólenes possa estar a atingir cerca de 10 a 20% de pessoas em toda a Europa (relatório mencionado na Revista Portuguesa de Imunoalergologia, 2007).
De acordo com este mesmo relatório, prevê-se que a incidência de doenças alergénicos venha a aumentar na Europa nos próximos 10 anos devido a múltiplos factores (poluição atmosférica, aumento da exposição doméstica e profissional a alergénios, uso indiscriminado de produtos sintéticos, aquecimento global – provoca tendência para inícios e picos de floração mais precoces e para períodos de polinização mais longos, etc.).
Desta forma, esta é uma questão importante, para a qual devemos estar despertos, conhecendo as formas de combater e evitar este tipo de alergias.
A distribuição do pólen e a sua concentração variam de região para região, estando estreitamente relacionados com a prevalência aerobiológica de cada pólen – a sua quantidade no ar – nas diferentes zonas geográficas e climáticas. Os principais pólenes são os da oliveira, os de certos arbustos (cipreste, zimbro), os das gramíneas (selvagens ou cultivadas) e o de certas plantas silvestres.
A frequência e a intensidade das reacções alérgicas que o pólen provoca muda de um ano para o outro, em função das condições climáticas (chuva, geadas, etc.) do período anterior à polinização (de Janeiro a Abril).
A alergia ao pólen manifesta-se mais frequentemente por rinite, conjuntivite e asma brônquica. Contudo, estas inflamações têm sintomas específicos quando têm por causa as alergias, não podendo a sua etiologia ser confundida com, por exemplo, uma constipação.
A rinite é a inflamação da mucosa nasal, que pode ser causada por infecções, por alterações anatómicas, por alguns medicamentos (hormonas ou anti-hipertensores) ou, finalmente, por alérgenos. A rinite alérgica, vulgarmente denominada também como “febre-do-feno”, é a inflamação que ocorre quando os alérgenos tocam a mucosa do nariz de uma pessoa que lhes é sensível. Esta inflamação tem como sintomas prurido – comichão – no nariz (sempre presente); a presença de espirros (característicos da rinite alérgica, surgindo depois do prurido nasal, e ocorrendo após contacto com o alérgeno); secreções nasais (de coloração clara e transparente); obstrução nasal (segue um padrão de alternância: quando uma fossa nasal está tapada, a outra fica desimpedida, e vice-versa).
A asma é uma doença inflamatória caracterizada por episódios repetidos de tosse (tosse seca, não associada a expectoração), dificuldade respiratória, aperto torácico e pieira recorrentes (ruído produzido pela passagem do ar pelos brônquios quando estes se encontram em constrição, no momento em que o ar é expirado). Tem como principal causa a obstrução dos brônquios, que impede a passagem do ar. O aparecimento da asma está relacionado com a inflamação da mucosa das vias aéreas, que ocorre após várias agressões externas (das quais os alérgenos), sendo uma situação reversível após tratamento. A asma afecta cerca de 10% da população infantil, e cerca de 6% da população adulta.
A conjuntivite é a manifestação da alergia ao nível dos olhos, caracterizando-se por uma inflamação da conjuntiva (membrana mucosa que reveste o globo ocular), cujos sintomas se manifestam por olhos vermelhos, sensação de areia nos olhos, corrimento ocular, visão enevoada, hipersensibilidade à luz e dor ocular.
As conjuntivites alérgicas costumam surgir sobretudo na Primavera e no Verão, e ser acompanhadas por outros sintomas de alergia (rinite, bronquite e eczema dos ouvidos), e melhoram quando tratadas devidamente.
Desta forma, há determinados cuidados que pode e deve ter, no período crítico de exposição aos alérgenos, de forma a evitar este tipo de alergias.
Para evitar o contacto com um pólen específico a que seja alérgico, programe as suas férias elegendo locais de baixas contagens polínicas (ex.: neve, praia, etc.). Em Portugal, é possível obter-se informação sobre a presença e a concentração de pólen no ar através da Internet, graças aos dados disponibilizados pela Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica, que instalou polinómetros em 5 cidades do país. Assim, pode mais facilmente programar os locais para onde pode ir.
Evite realizar actividades ao ar livre quando as concentrações de pólen no ar forem elevadas. Desta forma, tenha precaução ao fazer passeios no jardim, ou realizar actividades como cortar a relva, ou prática de desporto na rua, dado que irão aumentar a exposição aos pólenes e o risco para as alergias. Sempre que viajar de carro mantenha as janelas fechadas, de forma a reduzir o contacto com os pólenes.
Em casa, deverá manter as janelas fechadas quando as concentrações dos pólenes forem elevadas.
Uma forma eficaz e prática de evitar queixas oculares será a utilização de óculos escuros sempre que sair à rua (Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica, 2007).
Apesar da maior prevalência a nível mundial das doenças alérgicas, a qualidade de vida das pessoas que têm patologia alérgica por hipersensibilidade a pólenes tem evoluído nos últimos anos, através de uma melhor compreensão das causas e melhores atitudes preventivas.
exclusivo guiadafamilia.com
conteúdo gentilmente cedido por :
Enf. Raquel Espadaneira
Enfermeira Colaboradora da
Primus Care
www.primuscare.pt
Parceiro guiadafamilia.com